Setúbal, terra de mar, serra e jardins

Setúbal, terra de mar, serra e jardins

Chamemos-lhe António à falta de lhe conhecer o nome. Na realidade não nos apresentámos durante o tempo que falámos porque o entusiasmo que lhe rasgava os olhos foi suficiente para sentir que o conhecia. Porém, é imperioso falar dele porque foi este senhor que, por sua iniciativa, nos foi dando a conhecer o mais recente Jardim Multissensorial das Energias de Setúbal. Foi ele que, entre sorrisos e muitos gestos, nos foi apontando os diferentes elementos e equipamentos que fazem parte do Jardim, adiantando-se com explicações para cada um deles, tecendo-lhes adjectivos abonatórios e enaltecendo-lhes o carácter inovador.

Morador do bairro, contava ele que aquela obra de reabilitação tinha transformado um local outrora inseguro, num espaço bonito e aprazível da cidade onde ele gostava de caminhar e de apreciar. Era, aliás, visível o conhecimento que o Sr. António detinha do espaço, manifestamente acostumado com os vários recantos existentes o que fazia dele um potencial guia do espaço.

Efectivamente, a requalificação do Jardim das Escarpas de Santos Nicolau, com instalação do Jardim Multissensorial das Energias, tem o propósito de vir a proporcionar uma oferta pedagógica e atractiva que promoverá a dinamização social daquele espaço da cidade o qual, apesar das excelentes condições naturais, apresenta ainda alguns problemas a nível social.

O local, apesar de ainda não estar em funcionamento pleno, está bastante agradável, de cores vivas e harmoniosas, respeitador das bonitas vistas que por ali se alcançam, repleto de pequenos espaços acolhedores e convidativos ao descanso, aliando ainda a vertente pedagógica de dar a conhecer a importância das energias renováveis e da eficiência energética.

Se é verdade que o centro da cidade é o principal impulsionador das visitas dos que chegam de fora, e mesmo dos passeios dos setubalenses, a subida a este lado mais oriental da cidade não defrauda expectativas. A vista do porto de Setúbal apesar de, aparentemente, não ser a mais óbvia em termos de beleza não deixa de ter o seu interesse quando se faz por observar a eloquência visual associada à geometria dos contentores, às cores dos barcos ancorados e a toda a contextualização da cidade como sendo de mar.

Para além do mais, ver-se a Tróia como se a alcançássemos, observar os catamarans e os ferrys a deslizarem nas águas serenas do rio, contar os telhados das Fontainhas, espreitar o castelo a acenar ao longe e ouvir as gaivotas tão próximas de nós que nos parecem querer convidar a um voo contemplativo, são atributos que cheguem para nos fazer demorar por um dos miradouros à escolha.


Por fim, arrisco dizer que o Sr. António foi um simpático exemplo do quanto os moradores da zona se orgulham em acolher um espaço tão bonito, zelando pela sua conservação e divulgação, o que me leva a pensar que a vertente social com que este espaço foi concebido tem todo o caminho livre para cumprir o seu propósito.

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