Dos pássaros que revestem paredes

Dos pássaros que revestem paredes

O rapaz dos pássaros do artista Odeith exposto no auditório do Largo José Afonso

Setúbal é uma excelente cidade para os apreciadores de pássaros e de aves em geral. Desde logo pelas muitas gaivotas que chegam a terra depois de acompanharem os barcos que vêm do mar. Depois, pela grande diversidade que pode ser descoberta no estuário do rio Sado onde diversas espécies de aves se encontram para proporcionar uma inigualável beleza de sons e cores. Contudo, este artigo não pretende falar dos pássaros que literalmente sobrevoam os lugares mas antes daqueles que, retratados de forma perfeita, ornamentam fachadas e paredes públicas oferecendo à cidade toda uma cor e simbolismo ímpares.

As expressões artísticas que uma cidade exibe dizem muito do seu potencial criativo e integrador. A arte urbana tem conhecido uma forte expansão nos últimos anos e são múltiplas as cidades que exibem verdadeiras obras de arte a céu aberto, democratizando a arte na sua expressão mais urbana. A este respeito Setúbal não é excepção. De maior ou menor dimensão, são muitos os exemplos que poderão ser encontrados nas suas ruas merecedores de artigos dedicados ao tema. Porém, são os pássaros que dão o mote a este artigo e, nesse propósito, serão aqui realçados os trabalhos que retratam esta classe de animais.

Ainda que muitas das obras sejam bastantes “instagramáveis”, fora do mundo digital são igualmente apreciadas pelos moradores dada a relação que algumas têm com figuras da cidade. É disso exemplo o pássaro que, num fundo verde garrafa, se mostra na parede lateral da mítica Adega dos Passarinhos, um ícone da cidade de Setúbal conhecida por vender as bifanas com o melhor tempero.

Também o trabalho intitulado “O rapaz dos pássaros”, grandiosamente exibido na lateral do auditório situado no Largo José Afonso, tem fácil reconhecimento pelos setubalenses. Foi considerado, em 2014, um dos melhores murais do mundo, mas não foi este prémio que ditou a afeição que os setubalenses lhe têm mas o facto do mesmo se basear numa fotografia antiga do fotógrafo  Américo Ribeiro tirada a um rapaz da cidade que vendia pássaros o qual compareceu, com 91 anos, à inauguração do mural. Uma feliz coincidência que aumentou, ainda mais, o carisma desta obra.

É também no Largo José Afonso que se encontram, de entre diversos trabalhos expostos, outros exemplares de paredes revestidas de aves.  Neste terreiro, onde outrora existiu um lago habitado por patos, sobressai um tom atijolado salpicado por desenhos feitos com mestria, palco perfeito para bandos que passam.

Mais recentemente, o Jardim de Vanicelos tornou-se cenário de vários pássaros e aves graciosamente pintados nas várias fachadas do edifício de apoio ao jardim.  “Parecem fotografias!” exclama quem por lá passa e a verdade é que os detalhes das pinturas fazem-nas parecer reproduções perfeitas dos animais retratados.

A pluralidade de uma cidade reside nos pequenos atributos que lhe saibamos enaltecer. Dos pássaros que voam aos que, de forma estática, embelezam muros, sinto-lhes as asas e a liberdade de poder apreciar as diferentes expressões de uma mesma realidade.

Intervenção na Adega dos Passarinhos pelo artista 2-hands
Trabalho do artista Smile1art no Largo José Afonso
Trabalho do artista El Tvfer One exposto no Largo José Afonso
Trabalho do artista Smile1art no Jardim de Vanicelos
Trabalho do artista Smile1art no Jardim de Vanicelos
Trabalho do artista Smile1art no Jardim de Vanicelos
Trabalho do artista Smile1art no Jardim de Vanicelos
Trabalho do artista Smile1art no Jardim de Vanicelos
Trabalho do artista Smile1art no Jardim de Vanicelos

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