Setúbal e Alcácer do Sal, cúmplices do mesmo rio

Setúbal e Alcácer do Sal, cúmplices do mesmo rio

Desde pequena que me lembro que são 50 os quilómetros que fazem distar Setúbal de Alcácer do Sal. No trajecto para qualquer destino localizado a Sul, Alcácer justificava, na maioria das vezes, uma paragem para um pequeno passeio e para a compra de uma pinhoada. De alguma forma, sempre senti que esta cidade era um parente próximo de Setúbal e a verdade é que, unidas pelo mesmo rio, estas duas cidades, tão diferentes entre si, encontram no rio Sado um excelente motivo de cumplicidade. Setúbal conhece-o na sua forma mais rebelde, com sabor a mar e a dar o tom azul à sua baía. Já Alcácer conhece a sua personalidade mais branda, o seu tom mais sépia e um caudal com maior recato.

Por simpatizar com esta cidade e reconhecer-lhe os seus adjectivos, decidi considerá-la como uma excelente escapadinha a Setúbal, com a promessa de tudo de bom que é trazido com a aproximação ao Alentejo.

E é por debaixo de um céu povoado por muitas cegonhas, que a distância que une Setúbal e Alcácer pode ser percorrida quer totalmente por estrada quer por estrada e mar no caso de se atravessar o rio entre Setúbal e Tróia. Para quem tem mais tempo, e quer optar por um percurso mais bonito, aconselho o trajecto que inclui a travessia de barco. Este trajecto, não só oferece vistas de cortar a respiração como permite conhecer outros pontos altos do estuário do Sado como é disso exemplo a Carrasqueira, um pequeno local a meio caminho, encostado à Comporta onde, para além de se comer muito bem, se poderá visitar o Cais Palafítico, uma obra de arquitectura popular construída em estacas de madeira irregular, aparentemente frágeis, que servem de embarcadouro aos barcos de pesca que ali acostam.

Este local, que já foi quase um segredo é hoje em dia amplamente visitado por apreciadores de fotografia, de aves e de património cultural. Pessoalmente, é um lugar a que não me canso de voltar, surpreendendo-me a cada reencontro onde inauguro um novo detalhe ou uma nova visão anteriormente não captada.

Chegados a Alcácer é tempo de se deixar contagiar pelo ritmo calmo da atmosfera oferecido pela placidez de tons e de ruído. Alcácer do Sal pertence ao distrito de Setúbal e tem pouco mais que 6500 habitantes. De cor branca e pequenina não passa despercebida aos olhos de quem gosta de castelos e de pontes e ao paladar de quem aprecia iguarias nacionais como o pão e as pinhoadas.

Repleta de pequenas ruas estreitas que se entrelaçam até ao castelo, é mimosa e graciosa sem pretensões de ser mais do que a sua própria simplicidade. Voltada para o rio que ali adormece de forma pacífica, Alcácer tem uma marginal com vários restaurantes da qual se poderá fazer a travessia a pé, para o outro lado do rio, onde nos espera um trajecto feito para caminhadas e exercício físico sem perder de vista este bonito percurso de água.

Como lá chegar (indo de Setúbal):

Via estrada: Apanha-se a A2 e sai-se na saída 8 para convergir com a IC1/N5 seguindo posteriormente as placas indicativas ou, em alternativa, apanha-se a N10 e a IC1/N5.

Via estrada e mar: Apanha-se o ferry em Setúbal e sai-se em Tróia onde se apanha a N253-1 até à Comporta. Aí vira-se à esquerda pela N253 e segue-se em frente até chegar a Alcácer.

Sugestões do que fazer:

Comer nos restaurantes “Dona Bia” (não há melhor arroz do que aqui!) e “A escola” (comida alentejana servida entre sorrisos e simpatia).

Visitar as praias da Comporta e o Museu do Arroz e perceber que esta costa é uma das maravilhas de Portugal.

Andar pelas estacas do cais palafítico da Carrasqueira e observar, ao longe, os pássaros que, em bandos, desenham o céu.

Comprar uma pinhoada para comer enquanto sobe ao castelo de Alcácer do Sal.

Percorrer o passeio do Sado, em Alcácer, e esperar pelo entardecer com a companhia da serenidade do rio.

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